Categoria aprova calendário de mobilização e define assembleias decisivas caso a estatal não avance na Campanha Salarial 2026/2027.
Os trabalhadores dos Correios entraram em estado de alerta nesta semana depois que a Federação Nacional dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos (Findect) aprovou um calendário nacional de mobilização ligado à Campanha Salarial 2026/2027. A decisão foi tomada em reunião realizada na última sexta-feira, dia 19 de julho, quando dirigentes da entidade e sindicatos filiados avaliaram o andamento das negociações do novo Acordo Coletivo de Trabalho com a estatal. Caso a empresa não apresente uma proposta considerada suficiente pela categoria, uma greve nacional por tempo indeterminado poderá começar à zero hora do dia 29 de julho. A confirmação dessa hipótese depende diretamente das próximas rodadas de conversa entre sindicatos e direção dos Correios, que ainda seguem em curso. Para quem trabalha ou depende dos serviços postais no dia a dia, entender o calendário aprovado ajuda a dimensionar o que pode mudar nas próximas semanas.
Como está o calendário de negociação
O processo de negociação já vinha se arrastando havia algumas semanas antes da decisão desta sexta-feira. A primeira rodada, inicialmente marcada para 23 de junho, precisou ser remarcada para o dia 25 do mesmo mês, depois de comunicado oficial dos Correios. O encontro aconteceu na UniCorreios, em Brasília, com participação presencial e também remota de representantes sindicais de diferentes regiões do país, o que mostra a abrangência da categoria envolvida na discussão. A partir dali, uma sequência de reuniões foi programada para se estender entre os dias 30 de junho e 23 de julho, período em que empresa e sindicatos discutem os termos do novo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) para o biênio 2026/2027.
Um ACT costuma tratar de pontos como reajuste salarial, benefícios, condições de trabalho e regras específicas de cada categoria profissional dentro da empresa. No caso dos Correios, o documento é revisado periodicamente e serve de referência para milhares de carteiros, atendentes e demais funcionários espalhados pelo território nacional. Quando as partes não chegam a um entendimento dentro do prazo estipulado, é comum que a categoria recorra à mobilização como forma de pressão, algo que já ocorreu em outras oportunidades envolvendo os trabalhadores da estatal ao longo dos últimos anos.
O que acontece se não houver acordo
Segundo o calendário aprovado pela Findect, o dia 22 de julho marca o início de assembleias em bases sindicais de todo o país. Nesses encontros, os trabalhadores deliberam sobre a entrada em Estado de Greve, uma etapa formal que antecede qualquer paralisação efetiva e serve para ampliar a mobilização em torno das reivindicações da categoria. Essa fase funciona como um termômetro do nível de insatisfação entre os empregados e também como um recado direto à direção da empresa sobre a disposição da categoria em radicalizar o movimento, se necessário.
O prazo final para que os Correios apresentem uma proposta capaz de atender às expectativas dos trabalhadores foi fixado para 28 de julho. Nessa mesma data, estão previstas novas assembleias a partir das 22 horas, quando os sindicatos avaliarão coletivamente se a oferta da empresa é ou não suficiente. Caso o resultado dessa avaliação seja negativo, a categoria poderá deflagrar a greve nacional já na madrugada seguinte, dia 29 de julho, sem data definida para encerramento até que haja avanço nas tratativas.
Por que a mobilização ganhou força agora
A Findect reforçou, no comunicado divulgado após a reunião, a defesa de um processo de negociação amplo e responsável, com participação efetiva dos trabalhadores em cada etapa da discussão. Esse tipo de posicionamento costuma refletir um desgaste acumulado ao longo de rodadas anteriores, quando a categoria sente que suas demandas não avançam no ritmo esperado pela empresa. Vale lembrar que negociações salariais em estatais como os Correios costumam envolver também aspectos orçamentários e diretrizes do governo federal, o que torna o processo mais complexo do que uma negociação entre empresa privada e sindicato.
Historicamente, impasses semelhantes já levaram a paralisações nos Correios em anos anteriores, com desfechos que passaram até por decisões do Tribunal Superior do Trabalho quando as partes não conseguiram um acordo direto. Esse histórico ajuda a explicar por que tanto a empresa quanto os sindicatos tendem a buscar uma solução negociada antes de chegar ao ponto de uma greve efetiva, já que uma paralisação nacional afeta a entrega de correspondências e encomendas em todo o país, com impacto direto sobre consumidores e empresas que dependem do serviço postal.
Nos próximos dias, o desfecho das rodadas de negociação marcadas até 23 de julho deve indicar com mais clareza se a categoria seguirá o calendário de mobilização até o fim ou se um novo acordo será fechado antes da data limite. A Findect afirmou que continuará acompanhando de perto o andamento das conversas e mantendo os sindicatos filiados informados sobre qualquer mudança de cenário. Para os trabalhadores dos Correios, a expectativa agora está concentrada nas assembleias marcadas para o fim de julho, que devem definir os próximos passos da categoria.
Fonte: Findect – Calendário de negociações da Campanha Salarial 2026/2027
