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Bancários aprovam paralisação nacional de 24 horas após impasse com bancos

Caleb Calderstone
Por Caleb Calderstone
agosto 19, 2026
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Categoria programa mobilização para esta quinta-feira, 20 de agosto, após rejeitar proposta apresentada pela Fenaban; pressão sindical já levou bancos a retirar reajustes diferenciados por faixa salarial e congelamento do piso de ingresso

Contents
Proposta foi rejeitada por ampla maioriaBancos recuam após pressão dos trabalhadoresReajuste salarial permanece sem definiçãoLucros dos bancos entram no centro do debateParalisação está marcada para 20 de agostoCampanha salarial chega a momento decisivoFontes

Bancários de diferentes regiões do Brasil aprovaram uma paralisação de 24 horas para esta quinta-feira, 20 de agosto de 2026, em meio ao impasse nas negociações da Campanha Nacional dos Bancários. Assembleias realizadas pelo país rejeitaram a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), levando sindicatos e o Comando Nacional dos Bancários a intensificarem a mobilização em busca de avanços econômicos e trabalhistas. Em São Paulo, 97,66% dos participantes rejeitaram a proposta e 89,34% aprovaram a paralisação. (UOL Economia)

A mobilização ocorre em um momento decisivo da campanha salarial. Na proposta que provocou a reação dos trabalhadores, os bancos haviam defendido reajustes diferenciados por faixas salariais e o congelamento do piso de ingresso dos novos bancários. As entidades sindicais argumentaram que o modelo poderia fragmentar a categoria e criar condições salariais distintas entre trabalhadores. Depois da rejeição expressiva nas assembleias, a Fenaban retirou esses pontos durante a oitava rodada de negociação, realizada na terça-feira, 18 de agosto. (Sindicato dos Bancários de SP)

Apesar do recuo, o conflito não foi encerrado. Segundo os sindicatos, os representantes dos bancos não apresentaram naquela rodada um índice de reajuste para salários e demais verbas econômicas, mantendo a pressão pela paralisação. A mobilização desta quinta-feira, portanto, passou a ser utilizada pelos trabalhadores como instrumento para pressionar o setor financeiro a apresentar uma proposta econômica considerada satisfatória. (Bancários BH)

Proposta foi rejeitada por ampla maioria

A rejeição foi registrada em diferentes bases sindicais. Além de São Paulo, sindicatos de outras regiões divulgaram votações com forte apoio à mobilização. No ABC Paulista, por exemplo, 92% dos participantes da assembleia aprovaram a paralisação de 24 horas. No Ceará, a proposta patronal recebeu rejeição de 98,22% dos votantes, enquanto 92,07% apoiaram a paralisação. (Bancários do ABC)

Em Campo Grande e região, 97,76% dos participantes rejeitaram a proposta apresentada pelos bancos. O sindicato local também publicou aviso formal informando a realização da paralisação. Em Brasília, a assembleia geral extraordinária realizada em 17 de agosto igualmente deliberou pela suspensão das atividades durante 24 horas no dia 20. (Sindicário)

A amplitude das votações reforçou o caráter nacional da mobilização. Embora cada sindicato organize os trabalhadores de sua base territorial, a negociação ocorre dentro da Campanha Nacional, permitindo que reivindicações econômicas comuns sejam discutidas de forma coordenada.

Bancos recuam após pressão dos trabalhadores

A mobilização já provocou uma mudança importante antes mesmo da paralisação. Durante a oitava negociação entre o Comando Nacional e a Fenaban, os bancos retiraram a proposta de reajustes diferenciados por faixas salariais e também recuaram do congelamento do piso salarial de ingresso. (Sindicato dos Bancários de SP)

A proposta anterior havia provocado forte resistência porque previa tratamento diferente de acordo com a faixa de remuneração. Os sindicatos afirmavam que o modelo quebraria a lógica de reajustes aplicados de maneira uniforme à categoria e poderia aumentar diferenças entre trabalhadores.

Outra preocupação estava relacionada ao piso de ingresso. Representantes dos trabalhadores contestaram o argumento de que os salários iniciais deveriam levar em consideração remunerações praticadas por fintechs e cooperativas de crédito. Para as entidades sindicais, utilizar segmentos com remunerações inferiores como referência poderia pressionar para baixo as condições de entrada no setor bancário. (BANCÁRIOS-DF)

Reajuste salarial permanece sem definição

O recuo da Fenaban eliminou alguns dos principais pontos de conflito, mas ainda não solucionou a questão central da campanha: o índice econômico que será aplicado aos salários e às demais verbas da categoria.

Na oitava rodada, segundo as entidades sindicais, não foi apresentado um percentual de reajuste para salários e benefícios. A ausência de uma definição mantém aberta a negociação e aumenta a importância da mobilização aprovada para 20 de agosto. (Sindicário)

As negociações envolvem não apenas o salário-base. Campanhas nacionais da categoria também discutem questões relacionadas a benefícios, pisos, participação nos resultados, condições de trabalho, saúde e outros itens previstos nas relações coletivas entre empregados e instituições financeiras.

Lucros dos bancos entram no centro do debate

O desempenho econômico do setor financeiro também passou a ser utilizado pelos representantes dos trabalhadores como argumento durante a campanha salarial. A presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, afirmou que os lucros dos bancos ultrapassaram R$ 124 bilhões em 2025, defendendo que os resultados justificam uma proposta capaz de proporcionar valorização aos funcionários. (UOL Economia)

Para os sindicatos, o desempenho financeiro precisa ser considerado na negociação dos salários e benefícios. A argumentação é que produtividade, transformação tecnológica e resultados das instituições devem ter contrapartida para os trabalhadores.

Do outro lado da mesa estão os representantes patronais da Fenaban, responsáveis pela negociação coletiva nacional com os bancários. A disputa sobre o percentual de reajuste passa, assim, a ser um dos pontos centrais para determinar se haverá acordo ou continuidade das mobilizações.

Paralisação está marcada para 20 de agosto

A paralisação de 24 horas nesta quinta-feira (20) foi aprovada em assembleias e formalizada por sindicatos de diferentes partes do país. Entidades de São Paulo, Brasília, Campo Grande, Campinas e outras regiões publicaram comunicados relacionados à mobilização. (tvtnews.com.br)

A dimensão prática da interrupção poderá variar conforme a adesão dos trabalhadores em cada cidade e instituição financeira. Por isso, ainda não é possível antecipar com precisão quantas agências deixarão de funcionar presencialmente ou qual será o impacto nacional da mobilização.

Serviços bancários digitais possuem dinâmica diferente das atividades realizadas diretamente pelos funcionários das agências. A paralisação tem como foco a atividade dos trabalhadores e funciona principalmente como instrumento de pressão dentro da negociação coletiva.

Campanha salarial chega a momento decisivo

A decisão de interromper as atividades por um dia eleva a pressão sobre as negociações. A retirada das propostas de reajustes diferenciados e congelamento do piso mostra que a mobilização já teve impacto sobre a mesa, mas a ausência de um índice econômico mantém trabalhadores e bancos sem acordo. (Sindicato dos Bancários de SP)

Para os bancários, o objetivo agora é transformar a mobilização em pressão por uma proposta econômica mais favorável. Para as instituições financeiras, o desafio será avançar nas negociações sem ampliar um conflito que já resultou na aprovação de paralisações em diversas regiões.

O resultado das próximas rodadas será determinante para saber se a mobilização de 20 de agosto será um episódio pontual ou o início de uma fase mais intensa da campanha salarial. Até esta quarta-feira, 19 de agosto de 2026, a paralisação permanece confirmada pelas entidades sindicais consultadas. (tvtnews.com.br)

Fontes

Sindicato dos Bancários de São Paulo — Campanha Nacional dos Bancários 2026

UOL Economia — Bancários de SP rejeitam proposta e aprovam paralisação

Sindicato dos Bancários de Campo Grande e Região — negociação com a Fenaban

Sindicato dos Bancários de Brasília — paralisação de 24 horas

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