O médico Éverton da Costa Sagiorato destaca que a saúde mental dos colaboradores emergiu como um fator crítico para o sucesso organizacional. Os riscos psicossociais, muitas vezes invisíveis, podem ter um impacto devastador no bem-estar dos trabalhadores, na produtividade e na reputação da empresa.
Para os Departamentos de Recursos Humanos (RH), a gestão eficaz desses riscos tornou-se uma prioridade inadiável, exigindo uma abordagem estratégica e proativa. Este guia passo a passo visa auxiliar os profissionais de RH a implementar um programa robusto de gestão de riscos psicossociais, transformando desafios em oportunidades para construir um ambiente de trabalho mais saudável e resiliente.
Compreendendo os riscos psicossociais e sua relevância
O primeiro passo para uma gestão eficaz é entender o que são riscos psicossociais. Eles são definidos como aspectos da concepção e organização do trabalho, bem como do ambiente de trabalho, que podem causar danos psicológicos, físicos ou sociais. Exemplos incluem carga de trabalho excessiva, falta de controle sobre as tarefas, demandas conflitantes, assédio moral, violência, falta de apoio social, insegurança no emprego e desequilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Éverton da Costa Sagiorato enfatiza que a identificação desses riscos é crucial, pois eles podem levar a estresse, ansiedade, depressão, síndrome de burnout, absenteísmo e até mesmo acidentes de trabalho. Reconhecer a complexidade e a interconexão desses fatores é o ponto de partida para qualquer intervenção.
Mapeamento e avaliação dos riscos na sua organização
Compreendidos os riscos, o próximo passo é mapeá-los e avaliá-los especificamente no contexto da sua empresa. Isso pode ser feito por meio de diversas ferramentas, como pesquisas de clima organizacional anônimas, entrevistas com colaboradores, análise de dados de absenteísmo e rotatividade, e observação direta dos processos de trabalho.
É fundamental envolver os trabalhadores nesse processo, pois eles são a fonte mais rica de informações sobre as pressões e desafios diários. O médico Éverton da Costa Sagiorato esclarece que a NR1, em sua abordagem de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), exige que as empresas identifiquem e avaliem os riscos psicossociais, integrando-os ao plano geral de segurança e saúde. Uma avaliação abrangente deve considerar tanto os fatores individuais quanto os organizacionais.
Desenvolvendo e implementando medidas de prevenção e controle
Após o mapeamento e a avaliação, o RH deve desenvolver e implementar um plano de ação com medidas de prevenção e controle. Essas medidas podem ser primárias (eliminando a fonte do risco), secundárias (reduzindo a exposição) ou terciárias (mitigando os efeitos).

Exemplos incluem: otimização da carga de trabalho, promoção de autonomia e flexibilidade, treinamento de lideranças para gestão humanizada, criação de canais de comunicação eficazes, programas de apoio psicológico e políticas claras de combate ao assédio e à discriminação. Éverton da Costa Sagiorato aponta que é vital que essas ações sejam comunicadas de forma transparente a todos os colaboradores e que haja um cronograma claro para sua implementação.
Monitoramento contínuo e revisão do programa
A gestão de riscos psicossociais não é um evento único, mas um processo contínuo. O quarto passo envolve o monitoramento regular da eficácia das medidas implementadas e a revisão periódica do programa. Éverton da Costa Sagiorato alude que isso pode ser feito por meio de indicadores de saúde mental (como taxas de licença médica por transtornos mentais), feedback dos colaboradores, auditorias internas e externas, e análise de incidentes.
O objetivo é identificar o que está funcionando, o que precisa ser ajustado e quais novos riscos podem ter surgido. A flexibilidade para adaptar o programa às mudanças no ambiente de trabalho e às necessidades dos colaboradores é essencial para garantir sua relevância e eficácia a longo prazo.
Promovendo uma cultura de bem-estar e apoio
Finalmente, uma gestão de riscos psicossociais bem-sucedida culmina na promoção de uma cultura organizacional que valoriza o bem-estar e o apoio mútuo. Isso vai além das políticas e procedimentos, permeando os valores e o comportamento de todos na empresa. Incentivar a comunicação aberta sobre saúde mental, desestigmatizar a busca por ajuda profissional e criar um ambiente em que os colaboradores se sintam seguros para expressar suas preocupações são elementos-chave.
Éverton da Costa Sagiorato pontua que o RH, em colaboração com a alta gestão e os médicos do trabalho, tem o poder de moldar essa cultura, transformando a empresa em um local onde a saúde mental é tão valorizada quanto a saúde física, e onde todos se sentem apoiados para prosperar.
