Categoria programa mobilização para esta quinta-feira, 20 de agosto, após rejeitar proposta apresentada pela Fenaban; pressão sindical já levou bancos a retirar reajustes diferenciados por faixa salarial e congelamento do piso de ingresso
Bancários de diferentes regiões do Brasil aprovaram uma paralisação de 24 horas para esta quinta-feira, 20 de agosto de 2026, em meio ao impasse nas negociações da Campanha Nacional dos Bancários. Assembleias realizadas pelo país rejeitaram a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), levando sindicatos e o Comando Nacional dos Bancários a intensificarem a mobilização em busca de avanços econômicos e trabalhistas. Em São Paulo, 97,66% dos participantes rejeitaram a proposta e 89,34% aprovaram a paralisação. (UOL Economia)
A mobilização ocorre em um momento decisivo da campanha salarial. Na proposta que provocou a reação dos trabalhadores, os bancos haviam defendido reajustes diferenciados por faixas salariais e o congelamento do piso de ingresso dos novos bancários. As entidades sindicais argumentaram que o modelo poderia fragmentar a categoria e criar condições salariais distintas entre trabalhadores. Depois da rejeição expressiva nas assembleias, a Fenaban retirou esses pontos durante a oitava rodada de negociação, realizada na terça-feira, 18 de agosto. (Sindicato dos Bancários de SP)
Apesar do recuo, o conflito não foi encerrado. Segundo os sindicatos, os representantes dos bancos não apresentaram naquela rodada um índice de reajuste para salários e demais verbas econômicas, mantendo a pressão pela paralisação. A mobilização desta quinta-feira, portanto, passou a ser utilizada pelos trabalhadores como instrumento para pressionar o setor financeiro a apresentar uma proposta econômica considerada satisfatória. (Bancários BH)
Proposta foi rejeitada por ampla maioria
A rejeição foi registrada em diferentes bases sindicais. Além de São Paulo, sindicatos de outras regiões divulgaram votações com forte apoio à mobilização. No ABC Paulista, por exemplo, 92% dos participantes da assembleia aprovaram a paralisação de 24 horas. No Ceará, a proposta patronal recebeu rejeição de 98,22% dos votantes, enquanto 92,07% apoiaram a paralisação. (Bancários do ABC)
Em Campo Grande e região, 97,76% dos participantes rejeitaram a proposta apresentada pelos bancos. O sindicato local também publicou aviso formal informando a realização da paralisação. Em Brasília, a assembleia geral extraordinária realizada em 17 de agosto igualmente deliberou pela suspensão das atividades durante 24 horas no dia 20. (Sindicário)
A amplitude das votações reforçou o caráter nacional da mobilização. Embora cada sindicato organize os trabalhadores de sua base territorial, a negociação ocorre dentro da Campanha Nacional, permitindo que reivindicações econômicas comuns sejam discutidas de forma coordenada.
Bancos recuam após pressão dos trabalhadores
A mobilização já provocou uma mudança importante antes mesmo da paralisação. Durante a oitava negociação entre o Comando Nacional e a Fenaban, os bancos retiraram a proposta de reajustes diferenciados por faixas salariais e também recuaram do congelamento do piso salarial de ingresso. (Sindicato dos Bancários de SP)
A proposta anterior havia provocado forte resistência porque previa tratamento diferente de acordo com a faixa de remuneração. Os sindicatos afirmavam que o modelo quebraria a lógica de reajustes aplicados de maneira uniforme à categoria e poderia aumentar diferenças entre trabalhadores.
Outra preocupação estava relacionada ao piso de ingresso. Representantes dos trabalhadores contestaram o argumento de que os salários iniciais deveriam levar em consideração remunerações praticadas por fintechs e cooperativas de crédito. Para as entidades sindicais, utilizar segmentos com remunerações inferiores como referência poderia pressionar para baixo as condições de entrada no setor bancário. (BANCÁRIOS-DF)
Reajuste salarial permanece sem definição
O recuo da Fenaban eliminou alguns dos principais pontos de conflito, mas ainda não solucionou a questão central da campanha: o índice econômico que será aplicado aos salários e às demais verbas da categoria.
Na oitava rodada, segundo as entidades sindicais, não foi apresentado um percentual de reajuste para salários e benefícios. A ausência de uma definição mantém aberta a negociação e aumenta a importância da mobilização aprovada para 20 de agosto. (Sindicário)
As negociações envolvem não apenas o salário-base. Campanhas nacionais da categoria também discutem questões relacionadas a benefícios, pisos, participação nos resultados, condições de trabalho, saúde e outros itens previstos nas relações coletivas entre empregados e instituições financeiras.
Lucros dos bancos entram no centro do debate
O desempenho econômico do setor financeiro também passou a ser utilizado pelos representantes dos trabalhadores como argumento durante a campanha salarial. A presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, afirmou que os lucros dos bancos ultrapassaram R$ 124 bilhões em 2025, defendendo que os resultados justificam uma proposta capaz de proporcionar valorização aos funcionários. (UOL Economia)
Para os sindicatos, o desempenho financeiro precisa ser considerado na negociação dos salários e benefícios. A argumentação é que produtividade, transformação tecnológica e resultados das instituições devem ter contrapartida para os trabalhadores.
Do outro lado da mesa estão os representantes patronais da Fenaban, responsáveis pela negociação coletiva nacional com os bancários. A disputa sobre o percentual de reajuste passa, assim, a ser um dos pontos centrais para determinar se haverá acordo ou continuidade das mobilizações.
Paralisação está marcada para 20 de agosto
A paralisação de 24 horas nesta quinta-feira (20) foi aprovada em assembleias e formalizada por sindicatos de diferentes partes do país. Entidades de São Paulo, Brasília, Campo Grande, Campinas e outras regiões publicaram comunicados relacionados à mobilização. (tvtnews.com.br)
A dimensão prática da interrupção poderá variar conforme a adesão dos trabalhadores em cada cidade e instituição financeira. Por isso, ainda não é possível antecipar com precisão quantas agências deixarão de funcionar presencialmente ou qual será o impacto nacional da mobilização.
Serviços bancários digitais possuem dinâmica diferente das atividades realizadas diretamente pelos funcionários das agências. A paralisação tem como foco a atividade dos trabalhadores e funciona principalmente como instrumento de pressão dentro da negociação coletiva.
Campanha salarial chega a momento decisivo
A decisão de interromper as atividades por um dia eleva a pressão sobre as negociações. A retirada das propostas de reajustes diferenciados e congelamento do piso mostra que a mobilização já teve impacto sobre a mesa, mas a ausência de um índice econômico mantém trabalhadores e bancos sem acordo. (Sindicato dos Bancários de SP)
Para os bancários, o objetivo agora é transformar a mobilização em pressão por uma proposta econômica mais favorável. Para as instituições financeiras, o desafio será avançar nas negociações sem ampliar um conflito que já resultou na aprovação de paralisações em diversas regiões.
O resultado das próximas rodadas será determinante para saber se a mobilização de 20 de agosto será um episódio pontual ou o início de uma fase mais intensa da campanha salarial. Até esta quarta-feira, 19 de agosto de 2026, a paralisação permanece confirmada pelas entidades sindicais consultadas. (tvtnews.com.br)
Fontes
Sindicato dos Bancários de São Paulo — Campanha Nacional dos Bancários 2026
UOL Economia — Bancários de SP rejeitam proposta e aprovam paralisação
Sindicato dos Bancários de Campo Grande e Região — negociação com a Fenaban
Sindicato dos Bancários de Brasília — paralisação de 24 horas
